sábado, 21 de outubro de 2017

Meu amigo Cleyton

Tem gente que não sabe lidar com dinheiro.
Vejam só meu amigo Cleyton. Ele abriu sua primeira conta quanto tinha dezesseis anos, ao arrumar o primeiro emprego. Como era menor, não podia ter cheque especial nem cartão de crédito. Mesmo assim, gastava o que podia e não podia.
O pessoal falava para guardar um pouco, ajudar nas despesas de casa. Ele até ajudava, mas dizia que ganhava menos.
O dia que a mãe dele, a Dona Rita, descobriu um holerite com o valor real, ela ficou uma fera. A coroa já andava desconfiada que ele escondia o ouro, com todas as coisas novas que o filho andava comprando.
Ela exigiu que o Cleyton deixasse o cartão com ela. Aí ele começou a argumentar.
“Mas e na hora do almoço, mãe? Eu vou passar fome?” Ela disse que não, que levasse marmita. “E quando eu quiser sair com meus amigos?”  Que levasse o dinheiro contado para condução, ingresso e lanche. E assim foi a ladainha, até que o meu amigo se resignou e entregou o cartão da conta.
“E nem pense em usar a internet para movimentar a conta!” Vociferou Dona Rita. “Quero ver o extrato no pagamento e no vale!” A mãe conhecia o filho que tinha.
Cleyton começou a pensar em se mudar, morar sozinho. Mas, como disse no início da história, ele ainda era de menor. Quem ia deixar ele assinar um contrato de aluguel? Mesmo assim, ele começou a pesquisar. Descobriu que o aluguel de um quarto na pensão levaria metade do salário dele. Um quarto de pensão! Não uma casa, nem uma kitinete, muito menos um apartamento.
Ele começou a reparar nas despesas de casa. Aluguel, luz, água, telefone, supermercado, IPTU (o menino achou um absurdo terem que pagar o imposto, sendo que o imóvel nem era deles). Na lista do mercado, viu o tipo de coisa que a mãe comprava. Verduras, legumes, pão, margarina, óleo, leite, café, produtos de limpeza, sabão em pó.
Eles viviam da pensão alimentícia que o pai depositava e dos trabalhos de faxineira da mãe. E agora do salário que ele ganhava. Começou a olhar com certa vergonha para os tênis de marca, o smartphone de última geração e as roupas vistosas que tinha comprado escondido dela.
Um final de semana, em vez de ir pra balada, resolveu conversar com a mãe. Disse que tinha observado com atenção as despesas que tinham em casa e queria conversar sobre isso com ela. Foram horas analisando cadernos onde Dona Rita anotava despesas e receitas. Cleyton viu o dinheiro que repassava nos primeiros meses após arrumar o emprego. Ficou acabrunhado, mas seguiu em frente.
Ela anotava tudo no mês, fazia as contas e no final apresentava o saldo. Sempre sobrava um pouquinho. E esse valor aparecia com uma anotação: depositado na poupança. Havia meses em que ele tinha que pedir emprestado aos colegas, já que não podia fazer isso no banco ainda.
Aí ele percebeu que, com o comportamento que tinha, se tivesse feito empréstimo no banco, estaria com o nome sujo. Mas ele refletiu: mas ele já não estava, entre os conhecidos? Não estava na lista do SPC, mas tinha um monte de gente que já olhava torto pra ele por causa das dívidas.
Confessou isso à mãe. Ela não pareceu surpresa.

“Meu filho, quanto você deve pros seus amigos?” Cleyton não soube dizer. Não sabia os valores, mas sabia para quem. “Então você vai perguntar pra cada um dos amigos pra quem você deve o valor exato. E diga que vai conversar na semana que vem sobre a forma de pagamento. E não esqueça de anotar nome e valor”.
Ela pegou uma caderneta em branco e deu ao rapaz. “Coloque o nome da pessoa na primeira linha e quando conversar com ela, o valor. Depois, vamos fazer as contas e bolar um jeito de pagar esse pessoal”.
Durante a semana, Cleyton procurou todo mundo. Alguns se espantaram. Outros tinham até esquecido da dívida. Ele percebeu o quanto a pecha de caloteiro estava impregnada nele. Se sentiu mal por isso, principalmente porque algumas dessas pessoas tinham deixado de falar com ele depois de lhe emprestarem dinheiro – e ele não ter devolvido.
Munido das informações, no final de semana seguinte o meu amigo planejou o pagamento das dívidas. Demorou um ano, mas no final ele conseguiu saldar todas.
Mês passado, Cleyton fez dezoito anos. Foi ao banco atualizar o cadastro e passou a ser o único responsável pela movimentação da conta. Ofereceram a ele cheque especial e cartão de crédito. Ele recusou, mas perguntou sobre investimentos. Acabou fazendo um plano de previdência e uma poupança.
A única dívida pela qual ele se interessou foi o financiamento imobiliário. Mas deixou pra outra ocasião, pois achou os juros muito altos.

domingo, 15 de outubro de 2017

Dona Maria

Dona Maria era uma senhora que aparentava ter uns sessenta anos. Ela andava atarantada com seu empréstimo em atraso. Já tinha recebido ligações de dezenas de cobradores, que pareciam usar um tom ameaçador. Ela morava sozinha e não tinha quem lhe desse orientação sobre como proceder.
Ela caiu na lábia de uma gerente e depois de alguns meses, não conseguiu arcar com as prestações do empréstimo, que eram muito altas pra condição dela. Estava pagando as parcelas com dois meses de atraso.
Quando ia ao banco para tentar renegociar, a tal gerente, que era toda sorrisos quando fez ela assinar o contrato, parecia não notar a sua presença.
Até que um dia foi atendida por Edmundo. Ele chamou sua senha e ouviu sua história. Verificou o cadastro de Dona Maria, a situação do empréstimo, o que ela recebia pelo banco. E traçou uma estratégia para colocar a conta dela em dia.
Edmundo verificou as regras do banco para situações como a dela. Explicou o que teria que ser feito, o melhor dia para renegociar, de acordo com os vencimentos da senhora. Explicou que se pedisse desconto, poderia ficar com a conta, mas não teria crédito.
A gerente, vendo que o escriturário se demorava com Dona Maria, após ela ir embora, foi até a mesa dele.
- Não gaste saliva com aquela mulher. Ela é uma safada.
Chocado, Edmundo refletiu sobre o acontecido e sobre qual era seu papel na instituição. Seria a busca do lucro a qualquer custo, ou ele poderia fazer algo por aquela pessoa que tinha idade para ser sua mãe?
Dona Maria gostou tanto do atendimento de Edmundo que só procurava a ele.
Um dia, finalmente conseguiram fazer a renegociação numa data de vencimento compatível com a data de pagamento da sua aposentadoria.

Edmundo saiu da mesa e foi ajudar as pessoas nos caixas eletrônicos, e Dona Maria estava lá todo mês com o boleto de seu empréstimo renegociado, pedindo-lhe ajuda para fazer o pagamento.

domingo, 8 de outubro de 2017

O dorminhoco

Felisberto se espreguiçou e esfregou os olhos antes de abri-los. O ambiente estava escuro e vazio. Bem, não exatamente vazio. Apenas não havia pessoas lá. Ele não reconheceu o lugar a princípio. Olhou para os lados e viu a pasta de serviço.
Viu algumas mesas com computadores e um tablado alto com um tipo de balcão de atendimento. Tinha uma tevê pendurada no teto... não, apoiada num pedestal. Aí viu o totem com o logo do banco que ele tinha ido hoje à tarde. Procurou uma janela. Já era noite.
Onde ele tinha cochilado (ou hibernado?) fica próximo de uma coluna. Ficou meio escondido. Noite passada, ele tinha varado a madrugada estudando pra prova de... quando mesmo? Olhou no calendário do celular e o horário. Puta merda! Tinha perdido a prova!
Quando Felisberto chegou ao banco, a fila pro caixa tava enorme. Pegou sua senha de atendimento, e quando uma pessoa se levantou, ele se sentou e apagou.
Aí o boy se lembrou que as contas que ele veio pagar tinham vencido ontem. O patrão vai ficar uma fera quando souber da mancada.
“Quem estiver aí apareça!” gritou uma voz autoritária. Caramba, pensou o dorminhoco, devo ter acionado o alarme.
“Tudo bem, não atire. Estou desarmado.”
Dois pms, acompanhados de um homem de terno, apareceram no saguão. Um dos milicos mandou levantar as mãos. Ele obedeceu, é claro. Vieram e começaram a revistá-lo e fazer perguntas.
O homem de terno, meio sonolento, passou do espanto à gargalhada ao ouvir a história de Felisberto.
“Eu vou dar uma olhada nas gravações. Se bater com a sua história, pode ir pra casa.” Disse o gerente. “Você não chegou a pagar as contas, não é?” Ele fez que não com a cabeça. “Vou ver o que posso fazer. Venha durante o horário de atendimento.”

O gerente ainda pediu aos policiais que o levassem para onde o dorminhoco quisesse. Já estava amanhecendo. Felisberto foi tomar o café da manhã na padaria perto do seu trabalho e ligou pra mãe, avisando que estava bem. E ele teria que conversar com o professor sobre a sub.

sábado, 30 de setembro de 2017

O banco, cenário de ficção científica

Para Sheila. Que você tenha muito sucesso no departamento de TI.

Hoje em dia no setor bancário temos a tal da biometria pra acessar ou liberar transações no caixa eletrônico. Basicamente, a gente mete o dedo no sensor, e ele vincula nossa impressão digital à conta. Eu acho o máximo, porque posso sair sem o cartão e sacar ou tirar o extrato digitando os dados da conta e metendo o dedo, sem me preocupar em fraudes e troca de cartões.
Isso tá meio que na moda. A Justiça Eleitoral está fazendo o cadastramento biométrico dos eleitores. Até na academia o pessoal mete o dedo pra girar a catraca. Comigo não deu muito certo porque eu desconfio que o modelo de sensor não é lá essas coisas. Ou cadastraram minhas digitais errado. Porque, na boa, tem gente que passa sem problema. Porque comigo não?
No banco é tranquilo, mas eu vi gente se embananar ao colocar o dedo pra leitura da digital. Principalmente idosos. Tem uns que torcem a mão de um jeito que lembra aquele filme de terror, O Exorcista. Parece que está girando a cabeça (ou, no caso, a mão) 180 graus. Minha mãe foi uma Linda Blair do setor bancário. A agência resolveu desabilitar o cadastramento da digital dela antes que ela começasse a andar pelo teto.
Outro dia eu assisti uma reportagem sobre um lugar, acho que um hospital, em que os funcionários batiam o ponto com a digital e acharam um meio de burlar o sistema. Dizem que as impressões digitais são únicas. Cada um tem as suas, e ninguém tem uma igual. Então, como eles fizeram?
Usaram moldes de látex e os cúmplices usaram esses moldes como luvas. Aí eu lembrei de dois filmes que mencionavam esse tipo de identificação no enredo. E sobre como fraudar o sistema.
Um é O sexto dia, com Arnold Schwarzenegger. E se você ainda não assistiu o filme, já vou avisando: tem spoiler. O Arnold que acorda no táxi é o clone. O outro é Minority Report, com o Tom Cruise. Ele faz um transplante de olho (de olho!) e quando vai ao shopping, o programa de identificação lhe dá as boas vindas como “Sr. Nakamura”.
Outra parte do nosso corpo que seria única e, portanto, à prova de cópia seria uma parte do olho, a íris. Eu pensei, quando vi a cena do táxi: pô, que legal se a tecnologia avançar a ponto da gente não precisar de cartão, cheque ou dinheiro pra pagar as contas. Só olhando o sensor, e pronto.
Mas aí o herói do filme é um clone. Com o mesmo padrão, as mesmas digitais (dizem que até o formato da orelha é único). Com ele e o original andando por aí ao mesmo tempo, levaria metade do tempo pra gastar o dinheiro!
Deixemos de lado a clonagem, mesmo com a Dolly. O que impediria os bandidos de espalhar sensores que vão cobrar por compras e serviços que não pedimos? Imagine um comerciante mal intencionado que põe um desses na vitrine, e só da gente olhar pra mercadoria, compramos ela. Daí, de duas uma: recebemos um monte de entregas em casa, e/ou quando a gente quiser comprar uma balinha, recebemos a mensagem de “saldo insuficiente”.
Daqui a pouco, as maquininhas de cartão vão ser trocadas por leitores de impressão digital. Mas aí vamos ter que tomar muito cuidado onde passamos o dedo, e lembrar de limpar o sensor depois de pagar a compra. Pelo menos a gente se livra do porre de ter que decorar senha. Só que se fraudarem a digital, não vamos ter como bloquear e trocar, não é mesmo?

E o que acontece se perdermos o dedo cuja digital está cadastrada? Ou, nesse delírio futurista, se eu precisar de um transplante de córnea, vou ter acesso às contas do doador? Sei lá! Antes do avião ser inventado, quem imaginou morrer num acidente aéreo? Júlio Verne, talvez?

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Viagem no tempo


Quando eu era garoto, comecei a fazer serviço de banco pros meus pais. Não era essa facilidade de hoje em dia, que podemos acessar o banco com um aplicativo de celular e fazer até depósitos em cheque tirando uma foto.
Pra ir até a agência também não era a moleza que é agora, com um banco aqui na esquina. Em relação à distância, por exemplo, eu tinha que pegar um ônibus na ida e outro pra voltar. E tinha que pagar as duas passagens, em dinheiro ou passe de papel. Nada dessas modernidades do bilhete único.
Na agência, também não tinha moleza. Tinha que preencher guia de depósito, para sacar tinha que ser com cheque. Mas aceitava todas as contas, exceto boleto vencido de outro banco.
A movimentação da conta tinha que ser com talão de cheques ou, no caso de poupança, a caderneta.
E por falar nela, só podia depositar naquele dia e os juros eram trimestrais. Se fosse aplicar em outro dia, era obrigado a abrir outra conta, uma pra cada dia do mês, exceto a partir do dia 29. Por causa de fevereiro, é claro. Tem uma história sobre um imperador romano ter roubado um dia do mês de fevereiro, mas isso é pra outro dia.
As filas eram imensas, mas tinha caixa de monte. E o pessoal passava o tempo conversando ou lendo. Não tinha Facebook nem WhatsApp, muito menos celular. Computador era coisa de seriado de ficção científica (assim eu imaginava na época). Em vez disso, tinha máquinas de escrever e registradoras que autenticavam os recibos.
“E música, as pessoas ouviam?”, perguntou a criança.
Pensei um pouco antes de responder. “Sim, os clientes começaram a ouvir música dentro do banco quando apareceu o walkman.”
“O que é um walkman?”
“É...” eu titubeei. “É o aparelho que a gente usava pra ouvir música fora de casa na época.”
“E usava esse tal walkman pra mais alguma coisa?”
“Bem, alguns modelos dava até pra gravar.”
“Só??”
“Quer que eu continue ou você quer mudar de assunto?”. Ele olhou pra mim, em dúvida. Depois fez um sinal pra continuar a história.
Caixa eletrônico? Nem sonhávamos com isso (os clientes, claro). E lotérica era só pra aquilo: fazer aquela fezinha na loteria federal ou na esportiva.
Não tinha porta giratória também, travando com qualquer vintém. Mas o risco de assaltos era mais alto, justamente por isso.
As filas eram por caixa, e o pessoal ficava mudando de fila quando percebia que uma andava mais rápido, igual ao que os motoristas fazem no trânsito. Até que um dia inventaram de fazer a fila única.
Só que era única mesmo. Ficava idoso, gente com criança, grávidas, na ordem de chegada. Acho que isso começou a mudar quando fizeram a lei do transporte gratuito pra idosos, depois os assentos preferenciais. Aí apareceu a fila preferencial.
Vieram então as portas giratórias e o pessoal dando piti porque a porta travava, e culpavam os seguranças de não irem com a cara do cliente e travar a porta.
Um dia, apareceu uma máquina num canto da agência e pediram pro meu pai criar uma senha. Eu nunca tinha ouvido aquela palavra, mas o gerente disse que, com os dados da conta e a senha, meus pais poderiam tirar um saldo ou extrato da conta sempre que quisessem. Bom, como eu ia ao banco todo dia, acabei decorando a tal da senha (e o número da agência e da conta) e tirava um extrato sempre que fazia um depósito.
Depois vieram com um retângulo com o nome do banco, agência, conta e o nome da pessoa. Na época, a gente nem sabia o que era cartão de crédito. E o caixa eletrônico.
No começo, ele fazia o mesmo que aquelas máquinas onde a gente tirava extratos – que basicamente era uma calculadora de mesa com bobina, só que em vez de cálculos dava a movimentação da conta ou o saldo.
Mas, voltando ao caixa eletrônico, ele fazia três coisas: extrato, saldo e sacar dinheiro. E tinha que usar o tal do cartão com a senha. E ela era só de números. Hoje tem tantas opções que a gente fica tonto só de olhar. Depois veio a internet e agora os aplicativos de celular.
“Puxa, pai, como você sabe tanto sobre banco?”
“Ora, filho! Eu trabalho em um. Só que as coisas mudaram muito desde a época em que eu era criança.”

“Puxa, como você é velho!” disse o garoto. “Isso aconteceu mesmo ou você inventou tudo isso?”

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Caixa – Vitrine e saco de pancada dos bancos


 
 

Essa é uma visão pessoal sobre o trabalho do caixa dentro do banco, e como ele influencia a visão do público sobre a instituição onde trabalha. Há muitos fatores a considerar, como a redução crescente (!) do número de bancários e como isso afeta o atendimento bancário.

Em primeiro lugar, é necessário considerar a discrepância entre as visões do que é um estabelecimento bancário para a empresa e para o público. Para a empresa, o objetivo é fazer negócios. E, ao contrário de outros estabelecimentos comerciais, a mercadoria do banco é o dinheiro. O meu, o seu, o nosso dinheiro. Onde, exatamente? Nas diversas aplicações, como poupança, CDB, fundos de investimento, previdência privada. Em produtos como seguros de diversos tipos, títulos de capitalização e consórcios pra todos os tipos e gostos. E o lucro está na diferença entre o que ganhamos nas aplicações e os juros dos empréstimos – os chamados cdcs, consignados, e os famigerados cheque especial e cartão de crédito, os produtos com a taxa de juros mais altas de qualquer banco – o que muda são os juros cobrados de banco para banco.

Para quem é de fora – tanto clientes como não clientes, o banco é visto pela grande maioria como um lugar onde, pra começar, se pagam as contas. E guardar dinheiro, quando sé é poupador, ou onde se tirar dinheiro, quando recebe o salário ou aposentadoria.

E é aí que entra o caixa.

Há regras que ele tem que seguir no atendimento ao público que nem sempre são entendidas pelos clientes – como a identificação da pessoa que quer sacar um valor. No dia a dia, se vê de tudo: gente sem documento, com xerox de documento, com documento vencido, com cartão que não é dele querendo tirar dinheiro da conta – às vezes por ignorância, outras de má-fé, com documentos falsos.

Muita gente reclama da demora do atendimento no caixa. E isso muitas vezes é responsabilidade de mal entendidos como o acima, além da maneira como as pessoas vêm ao guichê. Pessoas que não sabem a senha, não sabem o saldo, não sabem nem o número da conta atrasam o atendimento. E quando querem fazer uma transferência para uma conta de outro banco? Não trazem o CPF ou CNPJ. Aí o cliente fica com cara de anhéééé?!

As pessoas às vezes vêm despreparadas ou distraídas ao banco: trazem documentos vencidos de outros bancos, com o cartão de outro banco querendo sacar (só porque um certo banco tem BRA no nome, não significa que pode usar o cartão no Banco do BRAsil, por exemplo).

Algumas pessoas acham que o trabalho do caixa é contar dinheiro. Eu diria que TAMBÉM, mas não só isso. E há uma rotina que ele segue para organizar as cédulas para posterior recolhimento à tesouraria.  Seguir esse padrão ajuda na hora de contar o dinheiro, independente para que seja: saque, depósito, pagamento de conta ou recolhimento para a tesouraria. E ajuda na identificação de notas falsas também. Trazer o dinheiro bagunçado pode dobrar o tempo de atendimento de uma pessoa.

Você, leitor, pode pensar: e eu com isso? Você já reclamou porque um caixa estava demorando pra atender um cliente? Pois é...

Qual é esse padrão? Pra começar, notas de mesmo valor todas juntas, com a “cara” voltada para o mesmo lado. Não importa se as cédulas forem de tamanhos diferentes. E abertas. Quando levar o dinheiro, lembre do formato “carteira aberta” (nota esticada) e não “fechada” (dobrada).

O mesmo vale para as moedas. Tem gente que quebra o cofrinho e traz as moedas do jeito que estão. Se a quantidade de moedas é pequena, não tem problema. Mas e quando as pessoas trazem verdadeiros fardos? E tudo misturado? Além disso, as agências onde trabalhei não tinham contadoras de moedas. É tudo na mão. Antigamente, o Banco Central mandava lotes de moedas em pacotes com MIL moedas. E a gente tinha que separá-las em lotes de 100, para ficar administrável.

Veja só, leitor, quanta coisa retarda o atendimento do caixa.

Além disso, com a informatização dos bancos, muitas pessoas são empurradas para os caixas eletrônicos ou para a internet, tendo condições ou não. Sabemos que há uma grande parcela da população que é semianalfabeta ou até analfabeta e são obrigadas a usar as salas de auto atendimento. Muitas não conhecem nem os números impressos! E dá-lhe golpe em cima desse povo.

Além desse grupo vulnerável existe aquele dos que não estão acostumados ao uso do computador; esse instrumento não faz parte do dia a dia deles diretamente. E entre os que estão familiarizados, há uma grande parcela que desconfia das transações on line: não faz compras pela internet nem acessa sua conta pela web.

Nos dias de maior movimento, o maior apelo do pessoal da fila é: põe mais um caixa! Mas os bancos trabalham com uma lógica cruel: cortar custos para aumentar lucros. E o empregado, em vez de investimento, é visto como “custo” a ser cortado.

Além dos postos de trabalho que não são repostos a cada leva de aposentadorias, há uma grande rotatividade no setor bancário, em especial no privado. E quando falo de rotatividade falo de demissões.

Departamentos inteiros são extintos, mas as metas aumentam a cada dia e o pessoal que fica se sente sobrecarregado; no caixa não é diferente. Há tempo limite de espera, tempo de atendimento, e os caixas e respectivos gerentes são avaliados por esses fatores. Em São Paulo, chegou-se a aprovar uma lei que estabelecia como limite de atendimento em dias de pico (pagamento de salários, dia dez) o prazo de meia hora. Quem trabalha no caixa gostaria de fazer um atendimento rápido, mas a falta de pessoal, aliada aos problemas acima citados, dificulta...

Há trinta anos, antes do surgimento dos caixas eletrônicos, havia agências com quinze guichês.  Quando entrei no banco, a agência onde ia trabalhar tinha cinco; depois de uma reforma, ficou com três, sendo um, escondido, para processamento de malotes de empresas. Tem agências que trabalham com apenas UM caixa e o gerente, que nos dias de maior movimento tem que abrir o caixa também. Além de monitorar os caixas eletrônicos, abastecê-los, chamar a assistência técnica, etc., etc.

O surgimento dos correspondentes bancários piorou a situação para clientes e bancários; as contas de consumo deixaram de ser aceitas na maioria dos guichês, empurrando as pessoas para as lotéricas e outros correspondentes que surgiram depois. E hoje em dia só aceitam no débito automático ou no caixa eletrônico. (Aliás, você já se perguntou porque uma conta é aceita no meio eletrônico – caixa ou internet – e não no guichê, olho no olho?)

Outro ponto a ser considerado é a diferença de caixa. Mas isso fica pra outro texto.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Qual é o banco ideal para o banqueiro?

Neste momento em que a greve de 2013 dos bancários está no segundo dia, faço uma reflexão sobre qual é o banco ideal para cada um dos envolvidos. Mas por enquanto vou focar apenas nos banqueiros, para que você, leitor, reflita e tome sua decisão.
Vou apenas fazer algumas considerações. Os dados podem ser obtidos no site do Sindicato dos Bancários de São Paulo (www.spbancarios.com.br).
Então, qual é o banco ideal para o banqueiro? Vamos a uma lista. Se você acha que está incompleta, comente o artigo.

- Com o minimo de funcionários (se possível, nenhum, em um futuro próximo, recebendo o mínimo possivel para não configurar escravidão.
- Funcionários loucos para cumprir as metas e se superar, mesmo que a carteira de clientes esteja saturada.
- Funcionários que não sejam sócios do sindicato, hostilizem os sindicalistas, aceitem as condições de negociação por mais desfavoráveis que sejam e votem contra a greve.
- O máximo de clientes, de preferência sem restrição alguma
- Que os clientes usem somente os caixas eletrônicos e internet (de preferência internet)
- Que os clientes comprem todos os produtos que o banco oferecer: seguros, previdência,  consórcio,  investimentos, empréstimo,  capitalização, cartão de crédito,  cheque especial
- Clientes que paguem em dia os compromissos assumidos e não reclamem.
Clientes que só apareçam na agência para fazer as seguintes coisas: abrir conta, atualizar cadastro e realizar negócios

E você, cliente, bancário, vigilante, qual é o seu banco ideal? Comente o texto, dê sugestões.